Corrinha rompe o silêncio sobre rompimento com Zé Aldemir e manda recado: “Não trabalho sob pressão”

“Política se faz com diálogo e respeito”, afirmou. E apesar de demonstrar gratidão a Zé Aldemir, ao deputado Júnior Araújo, à Dra. Paula e às lideranças que participaram do projeto político vitorioso, Corrinha também fez questão de deixar claro que gratidão não significa submissão.
Corrinha rompe o silêncio sobre rompimento com Zé Aldemir e manda recado: “Não trabalho sob pressão”

Em entrevista à Rádio Difusora Cajazeiras nesta terça-feira (5), a prefeita de Cajazeiras, Corrinha Delfino, deixou claro, nas entrelinhas e também de forma direta, que pretende seguir conduzindo a gestão municipal com autonomia, equilíbrio e fidelidade ao seu próprio estilo administrativo — ainda que isso tenha provocado o afastamento político e pessoal do ex-prefeito Zé Aldemir.

Sem partir para ataques, mas também sem esconder o desconforto, Corrinha revelou que está afastada de Zé desde outubro do ano passado. Segundo ela, os dois não trocaram mais mensagens e sequer mantêm diálogo. O silêncio, nesse caso, acabou dizendo muito.

Durante praticamente toda a entrevista, Corrinha reforçou que seu foco continua sendo “trabalhar pelo povo de Cajazeiras”, sustentando a imagem de uma prefeita dedicada, presente e comprometida com a administração. Em vários momentos, destacou que sempre trabalhou “de corpo e alma” e deixou evidente o incômodo com interferências externas na condução da gestão.

Quando afirmou que “não trabalha sob pressão”, a prefeita praticamente admitiu que vinha enfrentando situações e cobranças que contrariavam sua maneira de governar. Não citou episódios específicos, mas o recado político foi claro.

“Política se faz com diálogo e respeito”, afirmou. E apesar de demonstrar gratidão a Zé Aldemir, ao deputado Júnior Araújo, à Dra. Paula e às lideranças que participaram do projeto político vitorioso, Corrinha também fez questão de deixar claro que gratidão não significa submissão.

Corrinha ainda revelou um ponto delicado da convivência política com Zé Aldemir. Segundo ela, o ex-prefeito “não gosta de ser contrariado”. Apesar de reconhecer a importância política de Zé e os avanços da gestão anterior, afirmou que precisou se afastar diante de situações e posicionamentos que acabavam entrando em choque com sua forma de administrar. Disse, inclusive, que preferiu o distanciamento para evitar um desgaste maior.

A prefeita tenta preservar a história política construída ao lado de Zé, sem transformar o afastamento em guerra pública, mas ao mesmo tempo deixando claro que não aceita imposições que possam comprometer a condução do seu governo.

Ao falar sobre as eleições futuras, a prefeita aumentou ainda mais a temperatura política dentro do grupo. Questionada sobre eventual apoio a Zé Aldemir e Júnior Araújo, respondeu de forma direta: tudo dependerá “do comportamento de cada um”. A declaração foi recebida como um recado público.

Corrinha também afirmou que não pretende mais levantar a bandeira de candidatos que, nos bastidores, falem mal da sua gestão ou trabalhem contra o governo municipal. Nas entrelinhas, a prefeita deixou claro que enxerga sua administração como um projeto voltado ao povo de Cajazeiras, e que conspirar contra o governo, na prática, seria agir contra os interesses da própria população.

A prefeita ainda desmentiu as acusações de que estaria pressionando servidores a apoiar Júnior Araújo e rejeitar Zé Aldemir. Disse que “o voto é livre”, mas aproveitou para endurecer o discurso ao afirmar que não aceitará integrantes da própria base conspirando contra a administração municipal.

No tom adotado por Corrinha, ficou a impressão de que o afastamento não aconteceu por um fato isolado, mas por um acúmulo de desgastes provocados por pressões e imposições.

Ao mesmo tempo em que evita transformar o episódio em um confronto direto, a entrevista também deixa transparecer a imagem de um Zé Aldemir com dificuldade de aceitar opiniões contrárias ou decisões que não passem pelo seu aval.

No fim, Corrinha procurou transmitir a ideia de que o distanciamento não ocorreu por ingratidão, mas como uma decisão necessária para preservar sua paz, sua saúde emocional e a autonomia administrativa da gestão.

E na política, muitas vezes, o silêncio acaba dizendo mais do que qualquer discurso.

Por Caliel Conrado

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