Na política, silêncios também falam — e, às vezes, gritam. O ex-prefeito Zé Aldemir já apresentou sua versão, marcada por ressentimento e pela sensação de distanciamento de quem ajudou a eleger. Mas, a narrativa pode mudar: cresce a expectativa pela palavra da prefeita Corrinha Delfino, que pode, enfim, colocar luz sobre uma narrativa hoje dominada por ruídos, boatos e intrigas.
Entre versões, especulações e conversas de bastidores, é evidente que há quem torça pelo incêndio — talvez até de ambos os lados — enquanto a cidade segue. A gestão avança, obras aparecem, ações são executadas, projetos ganham forma. Mas política não se sustenta apenas com entregas administrativas: articulação política também é gestão. Ignorar o “fogo amigo” costuma ser um erro caríssimo.
Corrinha já governa; o desafio agora é consolidar-se, sem tutelas, como uma liderança política plena. E não se trata de um caminho simples. É uma mulher avançando em um ambiente historicamente dominado por homens que, em muitos casos, ainda resistem a ver uma mulher ocupar espaço, decidir e se destacar acima deles.
Na minha avaliação, é urgente que a prefeita promova ajustes estratégicos na gestão, organize a comunicação política, neutralize o chamado “fogo amigo” e afirme, com clareza, que não é apenas uma gestora eficiente, mas uma liderança política em construção — legítima, autônoma e merecedora do respeito que o cargo e o voto popular impõem.
Se o rompimento com o ex-prefeito se mostrar inevitável — e não se pode ignorar a força política de Zé Aldemir — Corrinha terá um grande desafio pela frente, não perder a confiança dos eleitores que são apaixonados por Zé.
Será que ainda há espaço para uma bandeira branca ou o atual momento já determina que é chegada a hora de cada um seguir seu próprio caminho? Qual será a versão de Corrinha? O que ainda não foi revelado que pode mudar totalmente a narrativa de Zé Aldemir?
Resta saber se o próximo capítulo será de esclarecimento, pacificação ou de mais lenha jogada na fogueira. O público, atento, aguarda a cena seguinte.
Por Caliel Conrado


