A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso do lenacapavir como método de prevenção ao HIV por meio da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). Comercializado com o nome Sunlenca, o medicamento passa a integrar o arsenal preventivo contra o vírus no país, sendo indicado para pessoas a partir de 12 anos que apresentem maior vulnerabilidade à infecção por transmissão sexual.
Diferente dos esquemas tradicionais, que exigem a ingestão diária de comprimidos, o novo regime se baseia em uma estratégia de longa duração. Após uma fase inicial com doses orais, o paciente recebe aplicações subcutâneas apenas duas vezes por ano. A proposta é reduzir falhas de adesão, um dos principais obstáculos observados nas políticas de prevenção ao HIV.
Tecnologia inédita no combate ao vírus
O lenacapavir pertence a uma classe inovadora de antirretrovirais e atua diretamente no capsídeo do HIV, interferindo em várias etapas do ciclo viral. Essa ação impede que o vírus consiga se multiplicar no organismo, mesmo após a exposição.
Ensaios clínicos internacionais embasaram a decisão da Anvisa. Os estudos demonstraram níveis elevados de proteção em diferentes populações, com desempenho superior ao da PrEP oral convencional. Em alguns grupos, a taxa de prevenção chegou à eliminação total de novos casos durante o período analisado.
Reconhecimento global e impacto esperado
Antes mesmo da liberação no Brasil, o medicamento já havia recebido aval da Organização Mundial da Saúde (OMS), que o incluiu em suas diretrizes como uma das ferramentas mais eficazes disponíveis atualmente para prevenir o HIV. A entidade destacou o intervalo prolongado entre as doses como um diferencial capaz de ampliar o alcance das estratégias preventivas.
Especialistas apontam que a introdução da PrEP injetável pode representar um avanço significativo na resposta à epidemia, sobretudo entre populações que enfrentam dificuldades para manter o uso diário de medicamentos.
Integração com outras medidas de prevenção
O Sunlenca não substitui outras ações já consolidadas no enfrentamento ao HIV. Seu uso está inserido no conceito de prevenção combinada, que envolve testagem frequente, uso de preservativos, tratamento das pessoas que vivem com o vírus e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP). A testagem negativa para HIV é condição obrigatória antes do início do protocolo.
Disponibilidade ainda depende de novas decisões
Apesar da aprovação regulatória, o medicamento ainda não está disponível no mercado brasileiro. A definição do preço ficará a cargo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Já a eventual distribuição pelo Sistema Único de Saúde (SUS) dependerá de análise da Conitec e de deliberação do Ministério da Saúde.
Até lá, o lenacapavir segue como uma promessa relevante no avanço das políticas públicas de prevenção ao HIV no Brasil.
Redação


